A Meta. - Resenha crítica - Eliyahu M. Goldratt
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A Meta. - resenha crítica

Gestão & Liderança

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: 978-85-213-1834-7

Editora: Nobel

Resenha crítica

A Meta

Imagine chegar no trabalho numa segunda-feira e encontrar o vice-presidente da divisão estacionado na sua vaga, esperando para te avisar que a fábrica que você dirige tem três meses de vida. Agora imagine que, ao chegar em casa naquela noite, sua esposa está sentada na sala, esperando uma conversa que você não tem mais energia para ter.

Essa é a vida de Alex Rogo, o gerente da fábrica da UniCo em Bearington. E essa também é, em alguma versão, a sua vida quando o trabalho engole tudo e os resultados, mesmo assim, continuam piores. A gente acredita que basta correr mais, cobrar mais, manter todo mundo ocupado o tempo todo. Mas e se essa crença, exatamente ela, for o motivo do desastre?

Você vai acompanhar como Alex desmonta, peça por peça, a lógica que ele aprendeu em vinte anos de carreira. Vai entender por que máquinas paradas podem ser ótimas notícias, por que cortar lotes pela metade gera mais lucro, e por que a pergunta "quanto custa uma hora ociosa" tem uma resposta que muda o destino de uma empresa. No fim, você sai com uma forma nova de enxergar qualquer operação — inclusive a sua.

A asfixia que começa no chão de fábrica

A vaga ocupada é só o começo. Bill Peach, vice-presidente da divisão, está ali porque o pedido 41.427, do cliente Burnside, está sete semanas atrasado. Peach atravessa o chão de fábrica, passa por cima de Alex, manda um operador rodar a peça na máquina errada e provoca uma quase paralisação. Antes de ir embora, dá o ultimato: três meses para dar um jeito nesta fábrica, ou ela fecha.

Alex chega em casa tarde. Julie, sua esposa, tinha planejado um jantar. Ele conta o ultimato e ela escuta calada — não é a fábrica que a assusta, é perceber que faz meses que o marido só aparece para dormir. Bearington está esvaziando, gente sendo demitida, e a relação dos dois vai pelo mesmo caminho silencioso.

No dia seguinte, Alex dirige até a matriz para uma reunião sobre desempenho. Lá, o que se discute é corte linear de despesas, pressão por números melhores, ameaça de venda da divisão inteira. Ninguém pergunta por que os pedidos atrasam. A cultura é a do medo: aperta-se cada engrenagem local, esperando que o sistema todo melhore. Não melhora. Piora.

O encontro no aeroporto que muda tudo

No meio da reunião insuportável, Alex tem um flashback. Semanas antes, no aeroporto O'Hare, esbarrou com Jonah, seu antigo professor de física. Em quinze minutos de conversa, Jonah desmontou o orgulho de Alex pelos novos robôs instalados na fábrica. Fez três perguntas simples: as vendas aumentaram? O estoque diminuiu? Houve demissões? Alex respondeu não para todas.

Jonah então provoca: se você teve uma melhora de 36% em uma área, mas nada disso virou dinheiro na empresa, que tipo de produtividade é essa? E completa com a pergunta que persegue Alex desde então: qual é, afinal, a meta da sua organização?

De volta à reunião, Alex se levanta, sai sem avisar, compra uma pizza e estaciona numa colina olhando a fábrica. Horas depois, andando pelo chão de produção, vê três funcionários lendo jornal. Em vez de gritar, pensa. Forçá-los a produzir peças que ninguém pediu seria produtividade? E a resposta finalmente aparece, óbvia e revolucionária: a meta é ganhar dinheiro. Tudo o que não aproxima a empresa disso é desperdício, mesmo que pareça eficiente.

Três palavras que substituem mil relatórios

Alex passa horas tentando localizar Jonah pelo telefone — liga para Israel, depois Londres, até conseguir. Jonah aceita ajudá-lo, mas exige que Alex pense por conta própria. E entrega três conceitos que viram o novo idioma da fábrica: Ganho, o dinheiro que entra pelas vendas; Inventário, o dinheiro preso em peças e matéria-prima; Despesa Operacional, o dinheiro gasto para transformar inventário em ganho.

Enquanto isso, na matriz, J. Bart Granby, o presidente, quer gravar um vídeo institucional ao lado dos robôs. A alta direção quer exibir a tecnologia. A fábrica, por dentro, está afundando. O contraste é brutal: o teatro corporativo de um lado, o caos real do outro.

Alex reúne sua equipe — Lou da contabilidade, Bob da produção, Stacey de materiais e Ralph da informática. Apresenta as três métricas. No debate, algo desconcertante aparece: pelas regras antigas, uma pilha de peças semiacabadas era um ativo no balanço. Pela lógica de Jonah, é dinheiro parado, é passivo, é doença. A equipe sai dessa reunião com a cabeça diferente — e Julie, em casa, sai pela porta cansada de esperar.

A matemática implacável dos eventos dependentes

Alex voa para Nova York atrás de Jonah. Em meia hora de café, recebe um alerta que parece heresia: uma fábrica balanceada, onde cada recurso tem capacidade igual à demanda, está condenada. Por causa de dois fenômenos inevitáveis na natureza, eventos dependentes e flutuações estatísticas. Uma etapa só começa quando a anterior termina, e cada etapa varia em tempo. Quando esses dois se combinam, o atraso se acumula e o adiantamento não compensa.

No fim de semana, Alex leva o filho Dave numa caminhada com os escoteiros. A fila se espalha. Os meninos da frente somem no horizonte, os de trás ficam para trás. No piquenique, Alex monta um jogo de dados com fósforos passando entre tigelas. A produção média deveria ser 3,5 por rodada. Nunca é. É sempre menos. E a pilha de fósforos no meio só cresce.

A lição cai sobre ele na floresta. Herbie é o menino gordo, o mais lento da tropa. O ritmo do grupo todo é o ritmo dele. Alex faz o impensável: coloca Herbie na frente e redistribui o peso da mochila dele entre os outros. O grupo se mantém unido pela primeira vez. A velocidade total sobe. O elo fraco, protegido, puxa o sistema inteiro para cima.

A caçada ao Herbie da fábrica

Alex volta da caminhada eufórico. Encontra a casa vazia e um bilhete: Julie precisou ir embora pensar. O contraste é cruel — a vitória profissional chega junto da derrota pessoal. Ele tenta segurar os filhos, tenta segurar o trabalho, e mal consegue respirar.

No dia seguinte, Hilton Smyth, gerente de outra fábrica, ataca por telefone exigindo 100 submontagens em atraso. É chantagem política, ameaça falar com Peach. A pressão obriga Alex a parar de adivinhar. Ele reúne a equipe e explica a metáfora dos escoteiros: precisamos achar o Herbie desta fábrica.

Tentam pelo computador. Os dados estão poluídos por anos de métricas erradas. Não dá. Então fazem o que Jonah sugeriu: vão ao chão. Caminham entre as máquinas, procurando montanhas de estoque parado esperando a vez. As pilhas denunciam dois gargalos óbvios: a NCX-10, uma máquina CNC carísima, e o departamento de fornos de tratamento térmico. Toda a fábrica gira em torno desses dois pontos — e ninguém tinha enxergado.

Quanto custa, de verdade, uma hora parada

A equipe calcula o impacto e quase não acredita. Cada hora ociosa no gargalo não custa o salário do operador. Custa a fatia proporcional da despesa operacional inteira da fábrica, porque sem aquela hora não há venda do produto final. O número fica em 2.735,00 por hora. Uma hora de almoço sem cobertura, e some o lucro do mês.

A partir daí, as regras viram do avesso. O controle de qualidade é movido para antes do gargalo — refugar uma peça depois de passar pela NCX-10 é queimar dinheiro vivo. As máquinas restritivas passam a operar em turnos cobertos, sem parar para refeição. Etiquetas vermelhas marcam peças que vão para o gargalo, prioridade absoluta. Etiquetas verdes, prioridade comum. Máquinas velhas abandonadas, como a Zmegma, voltam ao trabalho para tirar peso da NCX-10.

Um mês depois, recorde de faturamento. Mas surge um susto: peças verdes começam a sumir da montagem final. Jonah visita e explica calmamente. As máquinas não-gargalos foram aceleradas demais buscando eficiência local. Produziram demais de algumas coisas, de menos de outras. A lição final dói: nunca se ativa um recurso ao máximo só porque ele pode. Ele trabalha no ritmo que o sistema precisa, nem mais.

Tambor, corda e a coragem de cortar lotes pela metade

Numa conversa em casa, os filhos de Alex sugerem amarrar a fila dos escoteiros com uma corda ligada a Herbie. É exatamente o que faltava. O gargalo vira o tambor que marca o ritmo. A corda conecta a entrada de matéria-prima ao tambor — a fábrica só libera trabalho novo no compasso que o gargalo aguenta. Um pulmão de tempo protege o gargalo de qualquer flutuação. Estoque parado despenca, prazos despencam junto.

Logo depois, Peach exige na reunião do conselho mais 15% de lucro no mês seguinte. Não há atrasados suficientes para faturar tanto. Precisam vender mais. Jonah orienta o próximo ataque: reduzir pela metade o tamanho dos lotes nas estações não-gargalo. Lote menor significa menos tempo de fila, menos tempo de processo, prazo de entrega despencando de meses para semanas.

Alex provoca Johnny Jons, de Vendas: se eu prometer entregar em quatro semanas, você traz pedidos? Jons quase cai da cadeira. Nenhum concorrente entrega assim. O telefone de Vendas começa a tocar. A fábrica que estava à beira do fechamento vira a mais ágil do mercado.

Quando o sucesso vira um problema no balanço

A entrega do pedido do Burnside é feita no prazo prometido, sem estourar a capacidade. O faturamento supera a meta de Peach. O moral do chão de fábrica está nas alturas. E aí chegam os auditores corporativos com Hilton Smyth liderando o ataque.

A acusação parece técnica: o custo por unidade subiu, porque lotes menores significam mais preparações de máquina. Pela contabilidade tradicional, isso é pecado. Lou, o contador da fábrica, mostra o outro lado. A enorme redução de estoque físico, que é dinheiro real recuperado, aparece nos balancetes como queda de ativo, virando prejuízo fantasma. O lucro líquido real da fábrica disparou. As métricas antigas estão punindo a vitória.

Em paralelo, Alex e Julie se reencontram num jantar e conversam sobre o método socrático. Ele percebeu, sem nomear, que vinha conduzindo a equipe pelo mesmo caminho — fazendo perguntas em vez de impor respostas. Foi assim que venceu a resistência. E é assim que vai vencer a próxima etapa: a matriz reconhece o acerto e o promove para comandar a Divisão inteira no lugar de Peach.

Ser o seu próprio Jonah

Antes de assumir a Divisão, Alex senta com Bob, Lou, Stacey e Ralph. Precisa transformar o que viveram em algo repetível. Ralph conta a história da Tabela Periódica de Mendeleiev — o gestor eficiente olha o caos e enxerga a ordem por trás. Eles destilam a experiência num Processo de melhoria contínua de cinco passos: identificar a restrição, decidir como explorá-la, subordinar todo o resto a essa decisão, elevar a restrição e voltar ao início para que a inércia não se instale.

O teste vem rápido. Johnny Jons fecha um contrato brutal na Europa. Pelo método antigo, a fábrica aceitaria tudo e quebraria. Aplicando o passo da subordinação, negociam entregas parceladas, escalonadas no tempo. A receita explode sem destruir a capacidade. Bob Donovan é promovido a gerente da fábrica. Alex passa o bastão e parte para o desafio maior.

No carro com Lou, voltando da matriz, Alex resume a viagem inteira em três perguntas: O que mudar? Para o que mudar? Como causar a mudança? Essa é a arte real da liderança. Ele agora quer ser seu próprio Jonah, não esperar mais que ninguém venha do aeroporto fazer as perguntas certas.

O que sobra quando a fumaça baixa

Pare de medir cada engrenagem isolada e olhe para o sistema todo. Encontre o seu Herbie, proteja-o, subordine tudo a ele. Pergunte o que mudar, para onde mudar, como mudar — e responda com a coragem de desafiar a regra herdada. A meta não é parecer eficiente. É ganhar dinheiro, e seguir ganhando.

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Quem escreveu o livro?

Jeff Cox é um escritor independente especializado em escrever não ficções de negócios, sendo co-autor de 7 destes livros, que incluem A Meta, Zapp e Selling the Wheel. Jeff Cox foi chamado de "um mestre de transmitir conceitos de negócios através de uma história interessante". Ele é um escritor criativo com a cabeça para os negócios. Trabalhando com consultores e editores, ele escreve livros empresariais criativos que vendem idéias. Mais de 15 milhões de cópias de livros escritos por Jeff foram vendidos em todo o mundo. Um número de seus livros... (Leia mais)

Eliyahu Moshe Goldratt foi um físico israelita, consultor de administração e um dos proponentes da Teoria das Restrições. Como um bom físico, Goldratt afirmava usar o método científico para resolver os problema... (Leia mais)

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